Capítulo 6 – “capítulos não precisam de nomes tipo Bella Swan, tem que ser como o Jacob, em Amanhecer, com nomes e frases legais”.
- Patrícia acorda, menina!
- Hã? Que? Am? Onde? Ah! Não! 8 horas num sábado! Ta... Já vou lá!
- Vamos patty! A gente tem muito que fazer hoje!
- Eu sei, eu sei...- disse eu com sono, sentando. Tio Roni saiu do quarto e eu fui me trocar. Lavei o rosto, prendi o cabelo num rabo-de-cavalo e troquei de rouba. Desci as escadas até a cozinha:
- ‘Dia!
- ‘Dia, patty maionese!- O quê?Elenãopodiaterfaladoaquilo!
- De onde você tirou isso? –perguntei, incrédula.
- Eu sei o que você fez verão passado, patrícia, eu sei.
- Seu do mal! Não acredito que você ouviu pela extensão! Bem que o Tio Roni me avisou que o telefone não ficava mais na sala porque você é xereta e ouve as conversas, por isso foi para a cozinha, um lugar onde você nunca entra!
- Pois é, por incrível que parece, ontem eu quis vi beber água, foi o maior sufoco com esse pé, mas eu consegui descer as escadas bem, então eu ouvi você falando com alguém. Peguei a extensão e ouvi “Patty Maionese” e você respondendo com uma voz de apaixonada “O que foi, Doug”
- Seu filho da... Ah! Quer saber? Que se dane, era o meu peguete, ok?
- Viu como é fácil te arrancar informações?
- RRRRRR! Eu deveria é te deixar sem café da manhã, menino!
- Mas você não vai porque é uma menininha muito boazinha, não é? –disse ele fazendo cara de inocente
Capítulo 5 – Surpresas e mais surpresas.

Chegando em casa, vi no meu celular que eram 10h30. Quando abri a porta do duplex, vi meu tio sentado no sofá. Naquela hora pensei “Fudeu”. Mas estava enganada. Titio foi amigável, como se o que eu tinha feito fosse normal. Corri para o quarto de Juca. Ele estava vendo o jogo do São Paulo quando eu entrei, ou melhor, eu pensava que ele estava vendo o jogo, mas ele estava mesmo é vendo uma Play Boy com a capa da Íris, do BBB. Ele parecia exitado, pelo volume debaixo do seu botão. Arregalei os olhos. Ele ficou vermelho de vergonha quando me viu entrar e logo escondeu a revista. Ele delirara com o “NAAA TRRRAAAAVVVVEEE!!!” do Galvão Bueno. Dei risada e ele também.
Desde pequenos, eu e Juca somos confidentes. Eu sabia todos os segredos dele e ele sabia os meus. Contei do shopping para ele e ele não pareceu gostar muito disso. Ele morria de inveja de sua “priminha cute-cute”.
Lembrei-me que amanha seria um dia corrido. De repente o telefone toca. “mas será que ele já estava me ligando? OMG ele queria mesmo algo a amis comigo.”
-Patrícia! Telefone! É um tal de Juan!
- Já vou atender!
Corri para o meu quarto e peguei meu telefone. “Pronto tio!”
- Alô?
- Oi!
- Oi, Juan! Tudo bem com você?
- Tudo. Você chegou bem? Estava preocupado!
- Cheguei sim. E você?
- É... Cheguei.
- Que bom!
- O que você vai fazer amanha?
- Eu vou limpar a casa com o meu tio e o meu primo, por que?
- Ah! Eu queria sair com você. Domingo você está livre?
- Estou.
- Vamos ao parque do Ibirapuera?
- Vamos... Só que eu não posso chegar tarde, eu tenho que ir visitar a nova escola.
- Que escola?
- Boa pergunta, Juan.
- Fofinha, eu quero muito, muito mesmo ser seu amigo.
- Oh! Eu também quero! Mas me conte, eu não quero ver minha amida Rosa sofrer, o Tony é pegador, tipo happer norte-americanos, assim, ou é mais “delicado”?
- Na verdade ele é pegador. Um dia eu fui numa balada com ele e ele pegou sete... Eu não sei como ele conseguiu isso.
- Sete? Hoje em dia é bem normal isso.
- Sim, fofinha, mas eu não sou daqui, lembra? Quer dizer, eu sou daqui, mas eu não vivi aqui desde pequeño. Eu morei na Espanha por 9 anos, só agora que eu vim para o Brasil.
- Que legal! – “o que eu não daria para beija-lo agora”
- Patty Maionese?
- O que foi, Doug?
- Onde você mora?
- A dois quarteirões da sua casa. No n° 712, apto 52, por que?
- Vou te visitar.
- O que?
- É... Agora. Pode ser?
- Am... Pode.
- Que bom! Estou indo ai!
- Am... OK. Beijo.
“Fudeu. Agora fudeu mesmo. To ferrada de vez.”
- O TIOOOO!!!
- O que foi, querida?
- Era o meu amigo no telefone.
- E...?
- Ele disse que precisa de ajuda para estudar para a prova de segunda-feira,
só que eu não posso explicar amanha e domingo ele vai ter que viajar, então ele está vindo aqui agora. Tudo bem? – PQP!! O que eu estava falando?!!
-Claro que não, Patrícia! São quase 11 horas da noite, menina, você está louca?
- Não, tio, eu só achei que... ah, deixa pra lá vai, cadê o identificador de
chamadas dessa casa, hem? Ahh! Ta na cozinha é? Por que não fica na sala? O Juca? O que tem ele? Uai, não sabia dessa não. Sério que ele faz isso? Nossa!
Fui para a cozinha e vi qual era o ultimo número que ligou. Liguei de volta para o tel número de telefone. Alguém atendeu, parecia apreçado:
- Alô?
- Oi, esse telefone é do Juan?
- Sim, sou eu, quem deseja?
- Oi, Juan, é a Patrícia. Olha, furou, vem amanha a tarde, lá pelas 15h, ok?
- Ah... Ta bom, como quiser.
- Ta, tchau, beijo –disse eu e desliguei. – ÔÔÔÔ TIO!
- Quié?
- Ele vem amanhã, às 3h da tarde, tudo bem?
- Tudo.

Depois disso fui para a minha cama. Teria um longo dia amanha. Ainda mais com o Juan vindo me ver aqui em casa. Antes de dormir me peguei pensando nele, de novo. Lembrei do beijo. Foi bom, pra um dia em que eu estava deprimida e precisava daquilo. Não que eu não goste dele. Mas também eu não gostaria de ter algo sério com ele. A ultima coisa que me falta agora é ele vir aqui me pedir em namoro. Eu falo “sinto muito, mas não”. Não que eu queira ser grossa, mas eu não quero iludir o coitado. Ele é só mais um menino no meu pé... Rosa que estava caidinha pelo Antony. Nunca a vi tão desajeitada que nem ela ficou naquele shopping. Só porque o cara diz coisas bonitinhas. E além do mais ela deve isso a mim. Bom... Agora é só dormir e... Ah...
Capítulo 4- Pegadas e Paixões.

Fui para o meu quarto. Depois de amanha seria a limpeza, a minha vida se tornaria mais fácil. Fui tomar banho, estava muita “abalada” com aquilo. Feliz e triste ao mesmo tempo. Sei lá... Abandonar meus amigos... Tudo tão legal. O legal mesmo seria que eu vou fazer novos amigos, talvez até um namorado, mas isso é bem pouco provável. Fui até o meu armário e peguei minhas roupas. Preciso levantar minha auto-estima... Vou lavar o cabelo, fazer chapinha ou baby-liss. Vou fazer uma maquiagem muito linda, pegar minha mesada acumulada a 6 meses (60 reais por mês.. dá uns 360 reais. È... dá para fazer algum estrago, pensei sorrindo para o espelho.) Onde está o meu tubinho preto? Aiin... Tubinho preto é chato... já sei! Vou usar minha calça jeans xadrez, meu tomara-que-caia branco e minha bota de cano baixo preta. Isso! Lindo!

Fui para o banho, tomei um demorado banho com um sabonete líquido de frutas vermelhas, meu xampu de camomila... hum!!! Quando saí do banho, me sequei com a toalha e passei o meu creme favorito, usado somente em ocasiões especiais. Isso não era uma ocasião especial, mas valia a pena do mesmo jeito. Fui para o quarto me vestir, tomando cuidado para não molhar minha blusa. Fui até o canto sul do quarto, atrás da porta tinha um espelho. Isso! Lindo! Agora... liso ou enrolado? Liso. Sempre usei o cabelo ondulado, hoje queria ele liso! Fui até o banheiro de volta, sequei bem o cabelo e fiz chapinha até os meus fios ficarem milimetricamente lisos. Escrevi um bilhete ao meu tio:
Tio,vou ao shopping, tenho minha mesada, não se preocupe. Não tenho hora para voltar. Estou levando meu celular, qualquer coisa me ligue.

Liguei para Rosa (se pronuncia RRROZE), ela iria comigo. Oba! Eram exatamente 16:23 quando eu saí de casa, deixando o bilhete na mesinha de centro. Olhei-me no espelho do elevador. Acho que nunca estive tão bonita antes (Sim, elevador, a minha casa é, na verdade, um duplex). Quando saí do prédio para ir ao ponto de ônibus, dei graças a Deus por eu ter levado só 60 reais quando passaram 2 caras mal-encarados por mim. Estava com o cu na mão, desculpem a expressão, quando eu subi para o ônibus, paguei e fui sentar no fundo. Fui até o shopping metrô santa-cruz para encontrar a Rosa.
Chegando lá, descobri uma verdadeira obra de arte. Era um garoto lindíssimo, um verdadeiro gato. Fiquei quase sem ar quando ele retribuiu o olhar e veio caminhar até mim.
- Oi. – disse ele com uma voz sedutora
- Olá – eu disse tímida.
- Vem sempre aqui? – sinceramente esperava uma cantada melhor.
- Venho, venho sim. – disse eu, logo avistei a rosa, de braços cruzados a us 10 metros dali - Olha, amorzinho, eu vou ao cinema com a minha amiga ali - disse eu apontando para ela - então, eu tenho que ir... Desculpa-me.
- Não tem problema. – disse ele sorrindo.- se você não se importar, eu te levo até lá. Meu amigo, Frank, está indo também. A propósito, qual é o nome desta flor? – disse ele, ainda sedutor. Droga, por que ele era tão gato e tão legal?
- Priscila, e o seu?
- Juan. – eu pulei para traz ao ouvir ele dizer o nome.- não se assuste, meu pai são da Argentina. Mas eu nasci aqui.
- Ah, bom. Então, vamos lá?
- Onde?
- No cinema, idiota!
- Ah! Claro!
Caminhamos até onde rosa estava. Ela me encarava brava quando eu a puxei para o lado, dando um sorrisinho de quem diz “espera ai” para Juan.
- Rooosssaaa! Ele não é lindo?
- Am... É. Você o conhece?
- Acabei de conhecer. Ele disse que tem um amigo pra te apresentar.
- Ah, que legal! – exclamou ela com um sorriso enorme, agora.
- Seja legal com ele, ele parece ser bem legal. Ele vai ao cinema com a gente.
- O QUE?
- É... Ele se convidou, eu não pude fazer nada, você daria um fora nesse cara? –perguntei eu gesticulando.
- Bom... Não. Mas... Peraí! Aquele é o amigo dele?
- WOW. –disse eu com o queixo caindo. Ele era tão bonito quanto Juan, que era moreno, com olhos verdes. Esse amigo era loiro, de olhos castanho-escuros. Era realmente muito bonito.- vamos lá, eles estão esperando! – Mas Rosa não conseguia se mover. Estava em choque.
- VAMOS!- a puxei e ela veio.
- Olá, meninos!
- Oi! – disse o garoto loiro.- estendendo a mão para Rosa.
- Olá! –disse ela apertando sua mão.
- Então, Juan, qual é o nome do seu amigo para apresentarmos para Rosa?
- Antonio - respondeu ele com sotaque inglês.
- V-você não é da-daqui é? – gaguejou Rosa ao tentar falar com ele. Ela parecia bem nervosa.
- Não. Sou de Londres, vim fazer intercambio.- disse ele com sotaque.
- Nossa, que legal! – respondi eu quando vi que Rosa estava perdia em seu olhar.
- Então, garotas, vamos ao cine? – perguntou Juan, estendendo a mão para eu segura-la.
- Vá divagar - disse eu baixo o bastante para que só ele ouvisse.
- Ok, ok... Não pude evitar – disse ele a mim.
Rosa continuava perdida nos olhos de António, e ele nos dela. Tive que ser um pouco rude nesse momento para eles se tocarem que a gente estava indo.
- Ô casalzinho apaixonado? Vamos!
- AM? Que? Ah! Vamos. – disse rosa, confusa.
- Permite-me? – disse António, muita cavalheiro, estendendo sua mão a ela
- Claro! – respondeu Rosa sem jeito.
Fomos até o cinema em grupo. M-e-r-d-a, a VACA da Larissa estava no shopping. Ufa. Ela não me reconheceu, ainda bem. Fomos até a bilheteria, por ser uma sexta-feira ela estava lotada. Peguei um panfleto com a programação:
Divã – 16:30; 18:20; 19: 30... Não, não, já vi esse.
Monstros X Alienígenas – 17:00; 18:20; 19:20... Não! É chato!
Envocando espíritos-NEM QUERO SABER
- Ah! Toma, escolhe você! – disse eu dando o panfleto na mão de Juan.
- Por que eu?
- Porque eu não tenho paciência de fazer isso
- Ok... Vamos ver.. Que tal - mas ele parou de falar. Rosa estava encostada na parede beijando António.
- Caramba. Ela é rápida! – disse eu com os olhos arregalados.
- Já imaginava que António faria isso. Ele seduz qualquer uma quando quer ficar com ela. Avise sua amiga para não se iludir.
- Por que? Ela tem que aprender a se virar sozinha! É levando foras que se aprende a pegar!
- Hahahah! Frase profunda.
- É... Eu sei. – disse eu apertado sua bochecha.- desculpe. Não resisti.
- Tudo bem. Não tem problema. – disse ele passando o braço pela minha cintura.
- Já escolheu o filme?
- Não, que tal, am... Velozes e Furiosos quatro?
- Ah! Pode ser! Amo essa série de filmes! Amo corrida.
- Sério?
- É! Quer dizer, gosto nesse filme. Não gosto de F1.
- Ah!
- E ai, já escolheu o filme que a gente vai ver? – perguntou António.
- Quer dizer, a gente vai ver, vocês vão se engolir lá!
- Nada a ver, mano! – disse Rosa.
- Sei, sei... Pensa que a gente não viu vocês agorinha a pouco é? – Rosa corou, António não. Pelo jeito ele era mesmo um pegador como Juan disse.
Entrei na fila dos ingressos. Cada um paga o seu certo? Errado. Juan me tirou da fila, dizendo que queria pagar meu ingresso. Fiquei pasma. Ele pagando o meu ingresso?
Que fofo! Já António não quis nem saber. Pagou o dele e ela que se pague o dela. Meu deus! Ele que diz ser cavalheiro fazer isso com ela. Onde o mundo vai parar?

Fomos para a sala de cinema. Sentei-me ao lado de Juan e Rosa ao meu lado, seguindo António. Durante o filme, Juan passou o braço pelo meu ombro e me abraçou. Depois 1/3 de filme segurou minha mão. Enquanto eu respondia as cantadas indiretas dele, Rosa e António, como dito, estavam se engolindo. Beijou-se o filme inteiro. Nunca tinha visto isso antes. A Rosa parecia ser tão... Tão... Certinha. Eu estava errada. Ela não era nada certinha. Era do tipo “safadinha”.
No meio do filme Juan me abraçou, me puxou mais para perto. Seus lábios tocaram os meus e eu senti a adrenalina correndo em minhas veias. Retribuí o beijo com delicadeza e me afastei dele. Ele sorrio com um sorriso de culpa e eu sorri com um de timidez.
- Não de preocupe. Eu gostei. – sussurrei no seu ouvido.
-Eu sei.
Terminamos de ver o filme abraçados. No final do filme, nos beijamos de novo. Na verdade, era a primeira vez que ficava com um garoto que não conhecia bem. Quando eu virei para o lado, Rosa já tinha parado de beijar António, graças a deus. Saindo da sala de cinema ao lado de Juan, pedi um tempinho a ele e a António.
- Rooooooosssssaaaaaaaa!!! Você é louca, menina? O que deu em você?
- Ah Patty! Ele é tão fofo! Ele recitou um poema para mim antes de nos comprarmos os ingressos! E ai ele foi chegando... Chegando... E ai, já era.
- Meu Deus! Você sabe, pelo menos, quantos anos ele tem?
- Não... E você? Sabe quantos anos tem o Juanito?
- Não é “juanito” é Juan e sim, ele tem 15.
- 15!?
- É... E beija bem.
- Sorte a sua... O Tony não faz isso bem, não.
- Sério? Mas vocês se beijaram o filme todo!
- Eu sei, eu sei! Para de jogar isso na minha cara?
- Ta! Vamos logo... Eles estão impacientes lá.
Chegando no lugar onde os meninos estavam...
- O que acham da gente ir comer no restaurante japonês?
- Eu acho uma boa idéia – disse eu.
- Ai! Comida japonesa? Tipo... Comer com aqueles palitinhos?
- É... Algum problema com eles?
- Não.
- Vamos lá então!
- Espera ai! Tem comida japonesa aqui?
- Verdade, Juan, pelo o que eu me lembro não tem nenhum restaurante por aqui.
- Ah! Que pena!
- A gente pode comer no Mc Donald’s então!
- Por mim tudo bem. – disse Rosa, que torcia para gente não comer no japonês.
Fomos enfrentar a fila quilométrica do Mc. Ficamos lá por 30 min. Até sermos atendidos. Depois da compra dos lanches, a tarefa agora seria achar uma mesa. PQP, não tinha nenhuma mesa por lá. Logo quando vi um grupo de chineses se levantarem numa mesa a uns cinco passos de mim, corri para ela e me sentei. Dali alguns segundos o meu grupo se tocou que eu conseguira a mesa.
No jantar, descobri o nome inteiro de Juan. Juan de la Costa. O de António, na verdade era Antony Pain. Descobrimos também que eles têm uma banda chamada Los Intercambistas. Era um nome bem diferente para uma banda. Depois de andar mais pelo shopping e de “dar mais uns pegas” troquei o meu telefone com Juan, MSN, Orkut e todo o resto. Fomos para o ponto de ônibus juntos e descobri que ele morava a 2 quarteirões do meu prédio. “Interessante” – pensei.