Essas historias com começo “era uma vez” vêem a iludindo desde sempre. Principalmente as que seguem por as ilustres palavras “em um reino encantado”. Ela realmente acreditava que princesas em sonos profundos poderiam ser acordados por príncipes encantadas, ou que se ela beijasse um sapo ele seria o amor de sua vida e se tornaria o homem de seus sonhos. Mas a realidade é que a princesa estava em coma e os sapos passam doenças terríveis.
Ela acreditava, mas não compreendia nada daquilo. Afinal, qual era a moral dos sapos na época que as historias foram escritas? Metáforas, metáforas, metáforas... Sempre isso. Depois que cresceu parou de acreditar nas histórias e passou a acreditar nas metáforas da vida. Como que a magia está no amor e na amizade e que os unicórnios não são aqueles cavalos com um chifre, mas sim as pessoas que sabem que são mágicas e fazem o que podem para ajudar os outros a ficarem sempre bem.
As coisas começaram a ficar magicamente ruins, mas a garota nunca pensou em desistir de lutar, pensando: “se até em metáforas as coisas ficam bem, porque no final dessa minha história também não posso ser feliz para sempre?”. Nessas histórias sem fim, o para sempre é até que a morte os separe ou nem a morte separa quem ama? Onde está o para sempre da garota-unicornio, já que “para sempre” sempre vem depois de “feliz”?
