Era uma noite quente como todas as noites de verão e Nanda dormia lívida abraçada com seu hipopótamo de pelúcia nos braços de seu pai. Eles andavam por um longo corredor no Hospital Maternidade de um lado para o outro, esperando uma criança que salvaria o mundo juntamente com a garotinha adormecida.
O vento soprava uivando pelas janelas do quarto de Helena, a qual já entrara em trabalho de parto há cerca de duas horas. Enfermeiros com roupas azuis auxiliavam no procedimento e uma médica com uma touca de pano estampado com flores alertava que o bebê já estava pronto para nascer com a ótima dilatação da futura mamãe.
Do lado de fora uma rebelião tomava conta das ruas e avenidas da cidade grande, gritos e faixas para todos os lados. Ao lado da cama, segurando a mão da esposa, o líder de tudo aquilo.
-Não vamos conseguir esperar mais, o cordão esta enrolado no pescoço do bebê, precisamos acelerar o parto. –disse a enfermeira de cabelos brancos, afastando o aparelho de ultracenografia de perto da grande barriga de Helena, a qual começara a resmungar com a dor.
Depois de alguns minutos, uma enfermeira estava ao seu lado, segurando sua cabeça para frente:
-Mais força, querida, ele precisa nascer, vamos, você consegue!
Depois de um grito agudo e sufocante da mãe, o bebe finalmente veio ao mundo. O homem no corredor se preocupou ao não ouvir nenhum choro de bebe quando uma enfermeira entrou no quarto com uma incubadora sustentada por uma espécie de móvel com rodinhas.
Nanda acordou com toda aquela gritaria e abraçou mais forte o bichinho de pelúcia:
-Tá tudo bem, Jerry, titia Lena vai ficar boa logo. –assegurou com a sua voz infantil ao brinquedo. O homem que a segurava não achava o mesmo e temia pela vida da irmã.
Uma noite depois, tanto bebe quanto a mãe já tinham se recuperado do susto. A criança nascera saudável e forte, a mãe perdera sangue, mas não tinha anemia. Roberto e Nanda saiam do hospital acompanhando Helena, seu filho e seu marido quando um homem de meia idade os abordou, com uma arma apontada para a menina no colo de Roberto:
-Mataste minha família, seu canalha. –disse ao marido de Helena.
-Eu não matei ninguém, Pedro, abaixe esta arma. –disse firme ao líder de um dos “bandos” da rebelião.
-Agora você vai pagar.
O barulho dos tiros fez com que o bebe nos braços de Helena chorasse alto, assim como o choro do tio da criança. O sangue manchara o brinquedo que Nanda carregava e logo enfermeiros saíram do hospital, mas era tarde demais para fazer qualquer coisa.
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